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Aperitivos:
Até quanto podemos chorar? Até quanto podemos rir? Até quanto podemos chorar de rir? Até quanto podemos pular? Até quanto podemos deixar uma música no último volume levar a gente? Até quanto podemos nos molhar na chuva? Até quanto podemos ficar sonhando acordado? Até quanto podemos jogar conversa fora? Até quanto podemos amar sem esperar nada em troca? Até quanto podemos lembrar? Até quanto podemos esquecer? Até quanto podemos acreditar? Até quanto podemos viver tudo o que tem pela frente, sem deixar nada para trás?
Soundtrack desse post:
Quanto mais os dias passam, mas fica claro que nada é por acaso. Que o tempo não passa de mentira. Que o amor ainda vale a pena. E que a vida não é só o que acontece na nossa vida, egoistamente falando, mas é também o que deixamos na vida dos outros. Mesmo que às vezes não pareça, não passamos desapercebidos, ou pelo menos não deveríamos passar. Marcamos os outros quando fazemos aquilo que faz lembrar quem nós realmente somos. E vice-versa. E assim continua essa escultura de Lego, que nunca pára de ficar maior. Onde somos o que somos pelo o que os outros nos ajudaram a ser. Onde tudo faz sentido quando está junto.
O que se viveu. O que se acredita. O que se busca. O que se é. Por mais que tudo isso esteja lá dentro, bem dentro mesmo, tão dentro que não tem como mudar ou tirar do lugar, ao mesmo tempo, contraditório como a vida teima em ser, é o que mais está exposto, o que mais aparece. Não adianta esconder, maquiar ou disfarçar. Não, nem com óculos escuro.
Vida. Combinação de fotos, filmes, cores, perfumes, sabores e música. Mas muito mais do que uma coleção de objetos, ou de conquistas, ou até de minutos perdidos com preocupações e problemas, a vida é feita, na verdade, a sua melhor parte é carinhosamente feita, pelas pessoas que entram como presentes e milagres. Cada uma com a sua história e com suas qualidades. Na memória, um caleidoscópio de momentos acompanhado pela melhor trilha sonora que pode existir. Por um momento você revive todos os momentos que queria levar no bolso. A vida, brilhantemente se movimenta para essas pessoas aparecerem ou sumirem por uns instantes, tudo propositalmente calculado para você nunca esquecer o valor de cada uma. E nesse jogo de emoções a noção de tempo e espaço é tão relativa quanto medir o tamanho do sentimento que se sente. Não importa onde elas estão nesse exato momento, perto ou longe, porque o que importa de verdade é onde elas sempre vão estar, do seu lado. São elas que fazem a vida ser o que ela é. São elas que fazem você ser o que você é. São elas que te ajudam a ter os sonhos que você tem. São elas que fazem o sorriso aparecer no rosto, o olho ficar cheio d’agua e o coração apertado de tanto amor. São elas que fazem o melhor de você aparecer. São elas que fazem você querer ser alguem melhor, sempre. Sem elas, a vida seria simplesmente, sem vida.
Estou arrepiada de ter achado essa música! Se esse blog fosse uma música, eu gostaria MUITO que fosse algo como essa. Se o meu blog fosse 0.0001% como essa música, eu já ficaria feliz. Porque ele seria pelo menos, um pouco, encantador, envolvente, inspirador, cheio de profundidade e sentimento como essa música. Algo que te faz sair um pouco dessa rotina maluca e te traz vida novamente. Por isso considero essa música um hino para o Big Bag of dreams. Porque um hino representa a essência que não pode ser esquecida, do que se é e do que se quer ser.
Yael Naim - Far Far
Far far, there's this little girl
she was praying for something to happen to her
everyday she writes words and more words
just to spit out the thoughts that keep floating inside
and she's strong when the dreams come cos' they
take her, cover her, they are all over
the reality looks far now, but don't go
How can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
oh oh oh oh
Far far, there's this little girl
she was praying for something good to happen to her
from time to time there are colors and shapes
dazzling her eyes, tickling her hands
they invent her a new world with
oil skies and aquarelle rivers
but don't you run away already
please don't go oh oh
How can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
Take a deep breath and dive
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
There's a beautiful mess
beautiful mess inside
Oh beautiful, beautiful
Far far there's this little girl
she was praying for something big to happen to her
every night she hears beautiful strange music
it's everywhere there's nowhere to hide
but if it fades she begs
"oh lord don't take it from me, don't take it"
She says, "I guess I'll have to give it birth
to give it birth
I guess, I guess I have to give it birth
I guess I have to, have to give it birth
there's a beautiful mess inside and it's everywhere
Just look at yourself now
deep inside
deeper than you ever dared
deeper than you ever dared
there's a beautiful mess inside
beautiful mess inside
Quando as pequenas letras se juntam, elas formam estrelas nesse mundo que insiste em ser escuro. Essas estrelas formam constelações que vão estar sempre lá para serem apreciadas, admiradas, que te fazem pensar em tudo ou em nada. Quando elas estão iluminadas é porque devem ser vistas. E o brilho delas se reveza. Cada vez que você olha, uma estrela chama mais atenção do que a outra, depende do sentido que elas devem ter dentro de você, naquele momento. Nunca subestime o poder de uma palavra. Ela ainda pode iluminar o que você achava que já estava perdido.
Eu não sei quem cria os provérbios ou essas frases prontas que surgem por ai. E por mais clichês que eles pareçam ser, não adianta, sempre vamos nos identificar com eles. Eles são genéricos? Sim. Mas de alguma forma mágica eles falam lá dentro de um jeito que tira o fôlego. Quem sabe um dia eu crie uma frase que vire provérbio também. Mas eu acho que a grande qualidade de um provérbio é a sua “experiência de vida”. Ele já falou tanto, para tantas pessoas, que acho que eles ganham mais credibilidade. Por isso você não vê tantos novos surgindo por ai. Mas deixando a divagação de lado, jogo no ar alguns provérbios/frases/ whatever que estão falando com eco dentro de mim.
"Quando o vento sopra forte, devemos construir moinhos e não muralhas"
“O problema não é o problema, mas é como você lida com o problema”
“Não importa o que fizeram com você, mas sim o que você vai fazer com o que fizeram de você”
Dizem que a vida é preta e branca. Eu teimo em discordar! Existem momentos, sim, que deixam a vida desbotada, concordo. E incrível como bastam segundos para uma frase ou um pensamento ou uma cena, terem esse efeito. Mas também é incrível que tão rápido quanto, a vida volta a ter cor, com uma conversa, uma risada, uma música. Mais uma vez tudo gira em torno da: escolha. Eita palavrinha que nunca sai de moda.
“água no umbigo, sinal de perigo”, lembra? Isso funciona quando somos crianças. Mas agora somos levados ao fundão, vulneráveis ao que pode acontecer ou não. E quanto mais o tempo passa, mais pro fundo a gente vai na vida. O bom de poder ir pro “fundão” é aquele frio na barriga daquela onda sem quebrar, que faz a gente se sentir vivo. é a dúvida se aquela onda vai quebrar ou não. Se ela quebrar a gente escolhe se enfrenta ela de frente ou se a “engana” mergulhando por baixo. E o movimento da vida é bem assim mesmo, as vezes é aquela calmaria que as vezes te deixa entediado, mas que de repente pode vir aquela onda sem quebrar que te leva para um estado de alegria sem igual. Eu estou esperando a minha onda chegar, all at sea.
Talvez o relógio e o calendário são medidas um pouco ultrapassadas para medirmos o que acontece na vida. Radical demais? Ok. Refazendo. Talvez o relógio e o calendário não deveriam ser as únicas referências para medir o que acontece na vida. Tem aquela famosa frase que já foi falada em filmes, colocada no msn, orkut, twitter, facebook, blablabla: “Life is not the amount of breaths you take, it's the moments that take your breath away.” Apesar de já ter virado cliche, é mais ou menos esse o caminho. Porque pensa, tem semana que nem parece que existiu, dia que nem vemos passar, horas que passam como minutos e os minutos então, esquece. Talvez se a gente esquecesse do tempo teríamos mais tempo, por mais contraditório que isso pareça. A grande questão disso tudo é que parece que perdemos tempo demais medindo e calculando o tempo e não nos damos conta que na vida não existe hora marcada, atrasos, adiantamento, cancelamento. Na verdade a vida é um grande conjunto de imprevistos deliciosamente não previstos ou planejados, sendo bem redundante, assim mesmo. E é justamente por isso que a gente gosta tanto e sempre espera o melhor da vida.
Passeando pelo blog da minha eterna professora sempre encontro textos inspiradores. E não poderia ser egoista ou então confiar apenas na minha memória.
"Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer" Guimarães Rosa
"A mente selecciona, exagera, atraiçoa, os acontecimentos esfumam-se, as pessoas esquecem-se e, no fim, resta apenas o trajecto da alma, esses escassos momentos de revelação do espírito. Não interessa o que me aconteceu, mas sim as cicatrizes que me marcam e distinguem." Isabel Allende
“A vida flui em ciclos que se abrem e se fecham,e embora nunca tenhamos a exatidão do que foram para nós, deixam marcas, influências, tristezas, alegrias.Às vezes, passam-se anos e anos sem que nos demos conta de algo que nos aconteceu, que deixamos passar por imaturidade, falta de visão, até ausência de poesia no modo de olhar o tempo, o precioso tempo.
Mas, tudo, absolutamente tudo está no seu lugar , esperando a hora de acontecer, sem porquês, apenas porque era milimetricamente planejado para ser nosso, não importa quando,nem onde.” Gizelda (minha professora, meu orgulho)
Sabe quando você quer ouvir todas as músicas que você conhece e as que você não conhece ainda? Sabe quando você quer escrever mas não sabe bem o que você quer falar? Sabe quando você quer sair correndo para ver até onde você aguenta? Sabe quando você quer ver quem você gosta, todos eles, agora e ao mesmo tempo? Sabe quando você está aqui mas sua cabeça está sei lá onde? Sabe quando você está esperando alguma coisa que nem você sabe o que é? Sabe quando você não quer ver o tempo apenas passar? Sabe quando você se revolta que a semana passa rápido demais? Sabe quando tudo faz sentido mas ao mesmo tempo não faz? Sabe quando você sabe que você tem que parar de pensar mas não consegue?
Nem todo domingo precisa ser bodiante, nem toda segunda precisa ser deprimente. Eles não passam de nomes. Nada, nem o estresse do trabalho, nem trânsito, nem ninguém, podem tirar o que passa por dentro. Todo dia pode ser uma sexta à noite ou um sábado ensolarado.
A gente precisa de tão pouco para se sentir feliz e vivo. Está tudo na sua frente. Só é preciso olhar na direção certa. E quando estiver difícil de enxergar, vale a pena sair de onde você está para ter aqueles segundos que fazem a vida valer a pena.
Se fingir de estátua. Sonhar com um olho aberto a outro fechado. Continuar a viver sem esperar muito mas ao mesmo tempo, sempre com o friozinho na barriga de que algo pode acontecer a qualquer momento. Um sentimento que até parecer ser inocente mas na verdade ele já está é careca de ser enganado, o que ele é mesmo é teimoso e cabeça dura. Sempre não esperando/esperando something extraordinary.